segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O ROMANCE REGIONALISTA DE 30


A PROSA DA SEGUNDA GERAÇÃO MODERNISTA

Na literatura regionalista brasileira, podem-se encontrar duas tendências bem distintas: no Romantismo havia a idealização na Natureza e do homem; no Modernismo, há o amesquinhamento da Natureza e do homem.
É compreensível que o romântico José de Alencar tenha feito um regionalismo ufanista, contando as belezas do Brasil de forma superlativa, afinal este país estava nascendo depois de longa dominação portuguesa. As poucas deficiências que esporadicamente o romântico apresentava eram signos de um futuro tedioso e opulento.
Os anos pós-independência, no entanto, não mudaram o Brasil oligárquico da era colonial. A estrutura social vigente na Colônia não se alterou até hoje, não obstante as transformações sociais no mundo e o inchamento das cidades.
Lentamente, alguns romancistas ainda formados no Romantismo foram acenando para uma nova forma de ver a Natureza e o homem do Brasil, calcada em uma visão cética e inquietante. É a força de argumentos realistas incipientes em O Cabeleira, de Franklin Távora, em Inocência, de Visconde de Taunay, em O Missionário, de Inglês de Sousa. A terra brasileira já não é tão dadivosa e o homem, de tão miserável e problemático, virou herói derrotado. Os pobres são tangidos pelos cataclismas e pela injustiça social e os ricos jamais declinam de privilégios em prol de nada.
Essas realidades vão entrando na literatura, mesmo que não resolvidas, e ocupam a obra de quase toda uma geração de romancistas que, apoiados no Manifesto do Recife, sob a liderança do sociólogo Gilberto Freire, em 1927, constitui-se na geração do Romance Regionalista de 30.
Essa geração teve uma visão completamente crítica do Brasil, notadamente no Nordeste, epicentro da miséria e da exploração de seres humanos.
A seca é uma espécie de prova dos nove desses romancistas; a seca, e também o homem miserável, o vaqueiro, o sertanejo, as famílias famintas, a submissão do trabalhador ao latifúndio, o retirante, o coronelismo, o cangaço, o misticismo, a injustiça social.
Dessa geração crítica e engajada, fazem parte José Américo de Almeida, Raquel de Queirós, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado. Existe, ainda, um escritor do Sul que mantém pontos de contato com os nordestinos: Érico Veríssimo, mesmo que o regionalismo deste gaúcho não tenha tido a força da crítica social dos nordestinos.
É preciso considerar também nessa fase uma outra literatura voltada para o intimismo e para a psicologia, a qual se estendeu até a terceira fase do Modernismo. Destacam-se nessa vertente de prosa psicológica os escritores Ciro dos Anjos (O Amanuense Belmiro), Cornélio Pena (Fronteira) e Graciliano Ramos de São Bernardo, Angústia e Caetés, romances especialmente psicológicos.
Considera-se, ainda, a prosa urbana originária no Romantismo e retomada no Realismo-Naturalismo. Érico Veríssimo é o representante desse tipo de prosa na sua primeira fase literária com Clarissa e Olhai os Lírios do Campo.


PENSE E RESPONDA:

1) Que tipo de nacionalismo apresentou essa segunda geração modernista na prosa? Ele se aproxima ou se distancia do nacionalismo praticado pelos românticos?

2) Quais temas foram trabalhados pelos autores da geração do romance regionalista de 30? Qual a região que prevalesce como pano de fundo para esses autores? Por qual razão?

3) Cite os principais autores desse período na prosa.

4) O grupo da geração de 30 se preocupava muito com o engajamento social, em denunciar problemas sociais e realidades massacrantes. Na poesia desse mesmo período observa-se a mesma preocupação social ou os poetas se distanciaram da tendência predominante na prosa?

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